segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de Março: Árvores da Usina do Gasômetro são cortadas pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre

Árvores da Usina do Gasômetro são cortadas para início de obra. (foto: Fabrizio Arrienz)


Os cortes das árvores foram executados as 3h30 da madrugada com apoio da polícia. (Foto:FArrienz)


Na madrugada de 31 de março, as 3:30 AM a Prefeitura de Porto Alegre cortou as 8 árvores do Parque Gasômetro, com aval da justiça. Os movimentos sociais e ambiental perderam na justiça ação promovida pelo Ministério Público do Meio  Ambiente. A luta que vinha sendo travada desde o dia 6 de fevereiro de 2013 foi perdida e finalizada hoje. 

A cidadania perdeu uma importante parte do Parque Gasômetro para a ampliação da avenida João Goulart, que prevê aumento da circulação de carros e velocidade ampliada em toda a avenida que divide a orla do Guaíba dos parques do Gasômetro, Harmonia e Marinha do Brasil. 

E hoje na Câmara Municipal está em votação a alteração dos limites do Parque Gasômetro, que esta prefeitura quer diminuir a lei de 2010. Participe as 14 horas. 

Notícia no jornal Correio do Povo:

Hamburgo (Alemanha) planeja construir um parque sobre sua principal rodovia

Hamburgo na Alemanha aumenta área verde:

Enquanto várias cidades da Europa valorizam suas áreas verdes, por exemplo em Hamburgo na Alemanha, a cidade planeja um parque sobre a principal avenida da entrada da cidade para redução da poluição e melhoria da qualidade de vida. 

Leia mais em:




Associação Comunitaria do Centro Histórico.

31/ Março: Assine o abaixo-assinado em Defesa do Parque Gasômetro

A Associação Comunitária do Centro Histórico está promovendo esse abaixo assinado virtual para que os vereadores de Porto Alegre incluam na área do Parque do Gasômetro a própria Usina e aquele trechinho diante das praças da Orla do Guaíba.

A tentativa da associação é que com esta inclusão, haja uma determinação para que a solução viária dada à João Goulart esteja em consoância com o meio ambiente.


A votação ocorre hoje 31 de março na Câmara Municipal de Porto Alegre, as 14 horas, se você puder compareça com o seu cartaz.

Convidamos a todos para que assinem virtualmente: 


Abaixo assinado 



Manifesto pela implantação do Parque do Gasômetro


Foi a população de Porto Alegre que construiu a implantação de um grande parque no Centro Histórico, que liga as Praças Julio Mesquita e Brigadeiro Sampaio à Usina do Gasômetro. Houve, é claro, uma intensa mobilização nos âmbitos político-institucionais para que ele se concretizasse. Primeiro, em 2005/06, os conselheiros da Região de Planejamento 1 (RP1) decidiram, em votação, que um estudo coordenado pelo arquiteto Dal Mollin integrando oficialmente tais áreas fosse considerado um projeto prioritário para a cidade.
 

Poucos anos depois, em 2009/10, diversas organizações populares inseridas no Fórum de Entidades da Câmara Municipal resgataram esse projeto para apresentá-lo como uma emenda do Plano Diretor de Planejamento Urbano e Ambiental de Porto Alegre. Este texto foi aprovado.

Mas o que nos leva a buscar mais apoios a efetiva criação do Parque do Gasômetro – uma área que deve englobar as duas praças e a Orla do Guaíba – é o que vemos na prática na nossa cidade. Todos os dias – e, em especial nos finais de semana – centenas de pessoas realizam a travessia da Avenida João Goulart, entre a Praça Julio Mesquita e a Usina do Gasômetro para apreciar o Pôr do Sol, tomar um mate acompanhado de amigos ou familiares, sentir a brisa do Guaíba e apreciar a bela paisagem de Porto Alegre.
Essa massa que diariamente utiliza a área de maneira integrada é a prova de que o parque unificado já existe de fato!


A planejada duplicação da pista no local poderá ser uma barreira para a circulação de pedestres, especialmente gestantes, pessoas com deficiência, idosos, crianças, aqueles que estão acompanhados por animais domésticos – e tantos outros que são vulneráveis à condição de risco propiciada por uma via de grande fluxo.


Reconhecer o parque unificado é aceitar a necessidade de mitigar o impacto produzido pela via, que cruza aquele lugar composto por vários espaços utilizados para o lazer, e que naturalmente se interligam pelo fluxo das pessoas. É admitir que a solução urbanística para articulação dos espaços deverá estar integralmente adequada à paisagem urbana local, valorizando o ambiente natural. É dar à cidade um presente de aniversário, propiciando um lazer barato e para todos, com opções de passeio a pé na orla ou pelos gramados, à sombra das árvores. É acesso fácil e seguro, com articulação dos lugares de forma que o ambiente constitua um parque único, suprimindo do contexto a circulação viária. Assim estará garantido o acesso universal, convívio e humanidade, lazer acessível a todos, prioridade às pessoas, preservação do ambiente e outros benefícios à saúde física e mental da população em geral.


Não deixe que retirem a Usina do Parque do Gasômetro!


Porto Alegre, 29 de Março de 2014.

segunda-feira, 24 de março de 2014

24 de Março: Querem retirar o Parque Gasômetro


Projeto completo do Parque Gasômetro está ameaçado por projeto do executivo. (foto: Google/ Ibirá Lucas)




Associação convida para Audiência Pública sobre o Parque Gasômetro dia 24 de março para a comunidade debater e conhecer o  Projeto de Lei Complementar que institui o Corredor do Parque Gasômetro, e ameaça retirar parte do parque.


Para a Associação com o Parque do Gasômetro (com área completa até a margem do Rio) podemos ter:
  • Opções de passeios a pé nos gramados e com vista das margens do Guaíba,
  • Descansar e fazer pique-nique na sombra das árvores, 
  • Passear de barco pelo rio
  • Andar de bicicleta pela orla
  • Acesso fácil e seguro para todas as idades sem aquela avenida perigosa
Como? Com o rebaixamento!

Unificando as praças Brigadeiro Sampaio (do Museu do Trabalho) e Júlio Mesquita (praça do aeromóvel), Usina do Gasômetro e parte da orla do Guaíba, que vai do Gasômetro até a rótula das Cuias, com o rebaixamento das pistas das avenidas João Goulart e Mauá. 

Com o rebaixamento vamos permitir a passagem de pedestres sobre gramados extensos sobre a avenida hoje de alta velocidade e transito. 


Por que?
  • O parque é uma demanda da comunidade feita pela Região de Planejamento (que integra o Plano Diretor).
  • Com o parque do Gasômetro podemos proporcionar o acesso universal de todas as idades e condições físicas(cadeirantes), maior convívio social. 
  • Vamos humanizar o caminho para as margens do rio Guaíba, dando prioridade para pedestres e bicicletas. 
  • A solução paisagística vai permitir a preservação das árvores das margens do rio. 

Dia 24 de março
Local: Câmara Municipal de Porto Alegre
Av Loureiro da Silva, 255 
19 horas





Árvore centenária é recuperada por moradores na Praça Júlio Mesquita



Árvore era feita de fogão por moradores. (foto: G.Duran)







  
Na manhã quente de fevereiro (15) um grupo de moradores fez um mutirão para recobrir os buracos que ameaçavam a sobrevivência da centenária árvore na praça Júlio Mesquita, em frente à Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.



Moradores. (foto: Alexandre Santana)
 
Praça Julio Mesquita e o antigo portão do presídio. (foto: Alexandre Santana)






 Associação dos Moradores do Centro Histórico.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reflexões: Eu e a violência



Morador de rua na Rua da Praia em tarde de domingo.(Foto: Melgare) 
Sempre acreditei que este período que antecede o ano que acaba, e, ao mesmo tempo, já projeta o novo ano que vem, é tempo para profundas reflexões. Nas últimas edições tratamos de uma forma abusiva de violência, a praticada pela especulação imobiliária contra vizinhos de seus empreendimentos, com a chancela do Poder Público. Mas existem outras expressões de violência que merecem ser revisitadas pela nossa atenção.

A mais importante, por certo, é a estrutural. A diferente condição social leva à oferta desigual de oportunidades aos indivíduos. Muitas vezes, quando caminho pelas ruas do centro, onde é freqüente encontrar-se pessoas em situação de rua, fico cismando: O que seria destes pobres se recebessem oportunidades iguais aos demais? Por quantos eu quase tropeço pelas calçadas e escadarias, que poderiam ser como uma Daiane dos Santos, um Barbosa, ou até mesmo uma versão tupiniquim do grande Mandela? E utilizo estes exemplos só para sublinhar, também, uma das mais hediondas formas de violência, que é a racial.

Carrinho no centro de Porto Alegre. (Foto: Eduíno Mattos)
Quando chega a noite, e nos dirigimos a nossas casas, para o convívio familiar e o descanso, muitas vezes nos sentimos molestados por som alto, algazarras, e gritarias provocadas pela violência urbana. A nossas portas convivem: o tráfico de drogas, a prostituição, brigas, assaltos e tiroteios. Transgressões descontroladas que, se nada for feito, serão incontroláveis. Os pólos de atração de todo este impacto de vizinhança da noite, com certeza, são as casas noturnas, cujo licenciamento e controle são funções públicas. Tudo se fez, nos limites de uma organização comunitária, para contribuir com soluções, e apesar da nossa insistência, até hoje se aguardam encaminhamentos.

A distribuição de alimentos a pessoas em situação de rua é uma ação meritória que não pode ser contestada, mas que traz em seu bojo a cristalização de núcleos permanentes de moradores de rua. A estes se junta uma população de egressos do sistema carcerário, refugada pela família e pelo mercado... Com o tempo começa a se desenvolver ali o tráfico de entorpecentes. Este é outro retrato multifacetado da violência de nossas ruas que urge controle público.

Os espaços para geração de renda em condições especiais, e cito como exemplos os ambulantes e os papeleiros, estão cada vez mais restritos. Os primeiros, traídos pelo sonho do camelódromo, permanecem excluídos enquanto categoria. Os últimos, com a espada de Dâmocles sobre a cabeça. Os papeleiros abrangem uma população de cerca de 50.000 almas. Por lei, em 2016, será retirado o principal equipamento de trabalho da categoria, o carrinho. Recicladores na prática cotidiana contribuem para a preservação da natureza e para a potencialização da economia. Trabalham de graça numa função de interesse público e disto tiram o seu sustento. O que será destes pobres? Como será a vida desta verdadeira cidade subnormal incrustada em enclaves no tecido urbano, durante o ano da Copa?

Pedestres sem espaço nas calçadas. (Foto: Eduino Mattos)
 E nossas ruas? Garantias do Direito Humano fundamental de ir e vir, e que se apresentam a nós com absoluta segregação. A falta de acessibilidade exclui a todos com necessidades especiais. As calçadas esburacadas, que tanto vitimam idosos, cada vez menores... As ruas dominadas pelos automóveis, que poluem, mutilam e matam mais que as guerras, mas no asfalto são os senhores. Sempre com a razão, com suas buzinas potentes e latarias reluzentes. 
Massa Crítica de ciclistas de dezembro. (Foto: Naian Meneghetti)

  Cuidem-se pedestres e bicicletas! Todos pagam o capeamento asfáltico, mas ciclistas não possuem espaços dignos e pedestres só podem dispor por breves segundos.

Páginas seriam necessárias para ponderar o amplo espectro de violência que convive em nossas ruas e nas vizinhanças. O importante é refletir sobre os fundamentos. Sobre a nebulosa fronteira entre a exploração econômica predatória, sem respeito à natureza e à vida, e a estrutura pública, permeada pela permissividade contemplativa. O maior obstáculo é uma ordem econômica distribuidora de privilégios e disseminadora de degradação. O caminho a ser desbravado e pavimentado é da gestão pública comprometida com o interesse ambiental e social, acima do pragmatismo eleitoral.

Manifestação em junho deste ano contra corte de árvores na Usina do Gasômetro. (Foto: Ramiro Furquim)
Em grande medida quem produz a realidade é a gestão pública, que emana da política e deriva da vontade do votante. Cabe aqui o auto questionamento do quanto cada um de nós é responsável pelos descontroles existentes, uma vez que majoritariamente não realizamos o controle cidadão dos atos políticos da gestão pública.

O controle social realizado por cada um que possui condições subjetivas de fazê-lo é critério objetivo para a construção de melhores dias, e manifestação viva de amor real. Um bom Natal a todas e a todos, e um ano novo com muita cidadania.


Paulo Guarnieri
Publicado no Jornal do Centro/ edição Natal
Dezembro/2013